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Os Contos da menina-Mulher

Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto. Estes são os meus pontos sobre saúde, culinária e lifestyle. Aqui toda eu sou vírgulas, reticências e, no extremo, pontos de exclamação ou mesmo um ponto final!

Ter | 12.07.16

Quando o passado volta...

Hoje falo sobre uma parte do passado de que tenho muitas saudades, e que me ajudou (e ajuda!) a ser quem sou e a ter a coragem que (volta e meia) tenho.

 

A A.

A para sempre minha terapeuta.

Sim, é verdade e vocês sabem, que desde que cheguei a Lisboa, já procurei outras terapeutas, e que não correu bem.

Ao início via a minha procura como uma traição à A.

Depois percebi que nem é bem isso. O que se passa é que a A. é única. Não trabalha "chapa 5". Não segue um guião. Não culpabiliza. Não diz clichés, só porque estamos à espera deles.

A A. ensinou-me que fazer terapia não é uma vergonha. A A. ensinou-me a olhar para mim, para lá do ódio próprio e do medo. A A. mostrou-me o "trabalho bom". A A. entende mentes dark and twisty e não se deixa enganar nem vencer, por elas.

 

Hoje, quase 4 anos depois da nossa última consulta, voltei a falar com ela.

Conseguimos convencer a My Cristina a aceitar ajuda para sobreviver ao seu processo de luto.

E, pelos resultados conseguidos, só havia um nome nas nossas mentes: A.

Logo de manhã, a apalpar terreno, marquei o número, re-apresentei-me, expliquei a situação. E fui recebida do outro lado com um sorriso, uma lembrança clara, alegria por saber de mim. Cuidado preparado e redobrado para a My Cristina, que começa o "trabalho" na 6ª feira.

 

Deus, como é raro encontrar uma profissional assim.

Senti os braços abertos, do outro lado da linha. E não, não é pelo lucro.

E não é que desde essa hora que estou aqui a controlar-me?

Apetece-me "largar tudo" e ir fechar-me com a A. no consultório. Contar os meus últimos 4 anos, as minhas conquistas, as minhas dores, os meus medos, os tropeções. E o meu amor. Que quando a deixei era uma semente de sonho e dúvida? E agora é olhar para ele, fresco e bem vivo.

Sei que não somos amigas, sei que fiz muitos erros. Mas também sei que a A. havia de ficar contente com muito do que andei a fazer.

 

A A. salvou-me e educou-me.

Ouço as palavras e conselhos dela muitas vezes, na minha mente.

Coloco nas costas dela, com toda a confiança, o "trabalho bom" de auxiliar a My Cristina, para além do que o nosso Amor o consegue.

E hoje, não sei se é da luz do Sol, mas caraças! Hoje, acredito que as coisas vão ficar melhores.