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Os Contos da menina-Mulher

Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto. Estes são os meus pontos sobre saúde, culinária e lifestyle. Aqui toda eu sou vírgulas, reticências e, no extremo, pontos de exclamação ou mesmo um ponto final!

Ter | 12.09.17

Empurra-me.

Dói quando nos empurram.

Dói quando nos empurram e caímos. E esfolamos o ego e as memórias, mais do que os joelhos.

Quando somos pequenos, caímos quando nos empurram, nas brincadeiras, no recreio. Quando crescemos, habitualmente caímos quando nos empurram "para fora", contra a nossa vontade.

 

Já aqui escrevi que estas férias fui muito que empurrada, contra a minha vontade, e com muita dor à mistura, "para fora" do meu cantinho de hábitos e conforto, para fora do meu padrão saudosista e nostálgico, "para fora" de muita coisa que acreditava verdadeira e alimentava.

Disse adeus a pessoas, a sítios, a objetos, a partes da minha vida, porque tal como ensina o Feng Shui - quando não dá, quando estragou, quando já não funciona? "Deixa para trás" ou ficarás preso e não avanças.

Menos dias do que mais, o sentimento reinante não é mágoa nem revolta, é pena, é dor à vista da ingratidão. É a sensação de que pus muito das minhas memórias, muito dos meus sorrisos e gargalhadas nas mãos de outros. E que esses outros, de repente, resolveram que o meu mundo interno já não interessa, já não cativa. E eu não tive muito tempo para o empacotar, para o guardar com cuidado e sair.

 

É esta falta de possibilidade de perceber o porquê do empurrão, a falta de possibilidade de um closer equilibrado que me magoa.

Mas os dias passam, as situações acontecem e eu apercebo-me: estou melhor assim. Dói-me a alma? Sim. Mas já não me pesa. Já não dou sem receber, já não vivo para ser invisível, já não sou suplantada. Já não vejo com os óculos do passado, sem conseguir ver que os locais e as vibrações do presente mudaram, e eu também.

Estranhamente, uma alma dorida pode sentir alívio.

E percebo, que ao fim de anos, (anos!), posso ser mais eu, se quiser, se me predispuser a isso. Sem me preocupar com o que os outros fazem, com o que os outros precisam, com os que os outros querem. Com o que "as massas" têm. E sem ter vergonha.

 

Agora as memórias são minhas, as frases chavão desaparecem, na espuma dos dias. E o meu cérebro cansado e cheio de mazelas guarda as que assim entende.

 

As gavetas, os cabides, os armários ficam (mais) livres. Tudo o que não encaixa "em mim", ou vai fora ou é guardado para oferecer a quem se reveja.

Há menos dramas, há menos obrigações, há menos peso nos ombros, há menos preocupações desmedidas com vidas, que não a minha.

De repente, há tempo para mim, para acordar, viver o dia, adormecer eu, "metida na minha vida". Vivo as minhas novidades: o ginásio, a alimentação, o ter cortado com o tabaco (e vão 4 semanas sem fumar), os planos de patuscadas lá em casa, o carro novo, a viagem em outubro... Vivo-as, sem esperar validação, sem por parte da minha alegria, do atingir as metas em quem e onde já não (se) interessa).

 

A alma e o coração estão esfolados, mas isso passa.

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