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Os Contos da menina-Mulher

Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto. Estes são os meus pontos sobre saúde, culinária e lifestyle. Aqui toda eu sou vírgulas, reticências e, no extremo, pontos de exclamação ou mesmo um ponto final!

Seg | 19.02.18

2ª feira - Completamente no espírito

Sábado fiquei doente.

Qualquer coisa não caiu de "acordo" aqui, no meu estômago de donzela.

Dores, caimbras, dificuldade em respirar, até. Ontem, cada bocadinho que tive? Enfiada na cama a dormir. O Snape como minha companhia, a dar-me miminho e a dormir em cima da minha barriga, para me manter quente, como se ele soubesse tudo.

Só me levantei para tratar das refeições, da sopa e das marmitas - e mesmo assim, tratei de 3 refeições, em vez das 5.

 

Já à noite, depois do cházinho tomado, e enquanto o m-R estava num concerto... adormeci a pensar.

Há 9 anos atrás, começavam os acontecimentos que, sei hoje, me trouxeram até quem sou hoje.

 

O "Amor louco".

Lisboa como "objetivo".

O mercado de trabalho.

A depressão profunda.

A contemplação do suicídio.

A magreza extrema.

A independência.

O hedonismo.

As paixonites, e a noção de que não conseguiria voltar a Amar loucamente.

A carreira profissional a crescer.

A carreira profissional a mudar.

O encontrar um companheiro, um amante, um amigo.

O re-aprender a sonhar.

O aceitar que sou uma sonhadora nata, não-cor-de-rosa, mas que vive no seu mundo próprio - e não há nada de errado nisso.

O declínio físico.

A mudança corporal.

A luta pelo controlo e pelo regresso a mim mesma.

 

Nove anos, nem é uma década.

E parece toda uma vida.

"Perdi-me" da rapariga que começou esta caminhada. Muitos dias, quando me relembro, nem quero acreditar que somos a mesma pessoa. Que fui capaz. Porque, apercebo-me agora, o medo vem com a idade.

 

Vem o medo, vai-se a mágoa.

 

Ontem, pensei, recordei e perguntei. 

Como raio, em tão pouco tempo, "vim aqui parar". Quando, ao mesmo tempo, pereço olhar para uma vida que nem foi minha.

Voltei a parar nas mesmas encruzilhadas. Voltei a questionar os meus "coulda. shoulda, wouldas" pessoais, os de sempre.

Apercebi-me que consigo sorrir onde antes houve dor. Que continuo a sentir carinho e curiosidade onde, hoje sei, antes houve amor. E que, há amor, que hoje, sei foi falso, foi interesse.

 

E cá estou, viva.

Quando considerei não o estar.

Muito mais rica do que sonhei ser, como pessoa. Com metas pessoais atingidas.

Mas muitos dos meus dias, na dúvida e na dor - é a minha natureza e começo a aceita-la, sem medo ou vergonha.

 

Nada como ficar doente a um domingo, num mês que me é tão dicotómico, para começar a semana com a cabeça na lua.

Verdadeiro monday blues.

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