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Os Contos da menina-Mulher

Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto. Estes são os meus pontos sobre saúde, culinária e lifestyle. Aqui toda eu sou vírgulas, reticências e, no extremo, pontos de exclamação ou mesmo um ponto final!

Qua | 29.08.18

Obrigada é o meu nome do meio

Trabalho com a internet, as redes sociais e as comunidades virtuais TODOS OS DIAS.

Tenho este blog vai para 6 anos, tive outro antes, que mudou a minha vida, durante 3 anos.

Acredito piamente no poder das comunidades. Sei que têm força e poder.

 

Mas nunca creio nelas quando "é para mim". Não me considero interessante, relevante, "de memória".

 

Sou eu, "eu mais eu e na minha" especialmente no último ano. Como eu digo em casa: gosto de ser importante na minha casa e chega-me bem.

Daí dar tanta relevância à minha vida profissional, mas ter um trabalho que se faz bem "nas sombras".

 

A verdade é que fazer o apelo pela minha irmã não me foi fácil.

Tive quem me perguntasse logo se "ia por os milhares de seguidores a uso".

Eu pedi tempo.

Dormi 3 horas na noite da notícia. Chorei madrugada dentro a imaginar o que pode vir a seguir.

Prometi a mim mesma honrar o meu papel de madrinha, sejam quais forem os motivos e as alterações pessoais.

Chorei, sozinha, a ver o Sol nascer, na madrugada de há uma semana e meia. E lutei contra as sombras.

 

Depois, encarnei a "chata". Engoli o mau feitio. "Caguei" na maldade das pessoas.

Corri o meu telefone e mandei SMS e liguei a quem considerei relevante. Pedi, com toda a minha capacidade de pedido na voz. Lutei contra as lágrimas e os medos.

Fiquei entusiasmada quando percebi que mais de metade das pessoas que contactei me disse que já é dadora de medula.

Fiquei tão, mas tão grata quando ninguém se negou a tornar-se dador, a informar familiares e amigos.

 

Percebi, senti, em cada SMS e em cada chamada, o AMOR.

O meu pela minha irmã, que me tem louca à procura de salvação.

O dos meus pais, que estão abananados e revoltados.

O do m-R que "largou" as férias para bater "capelinhas", para se inscrever, para receber o meu afilhado e aligeirar os dias dele - e os da mãe dele.

 

E o dos "meus".

Pessoas com quem já não me dou, atenderam. Pessoas com quem só falo em datas especiais, atenderam. Pessoas cuja amizade foi desvanecendo, atenderam.

Provou-se que o Amor não é incondicional, não vem de uma fonte eterna. Quando já não se sente Amor, nem o maior pedido de clemência ecoa.

Mas, quando ele existe?! Aaaaah quando ele existe, a luz brilha nas brechas mais fininhas.

 

2ª feira pousei a minha capa de super-heroína que trabalha caso-a-caso, pessoa-a-pessoa.

E rendi-me à internet em que trabalho. E "esqueci-me" que o meu blog "é só um hobby".

Fui falar com as "meninas mais famosas" que conheço. Expus o que consegui e o que posso (sem faltar ao respeito à minha irmã). Porque sei que eu sou uma hipótese remota. Porque tenho consciência que a vida não é um filme "cor-de-rosa" de sábado à tarde, e o mais provável é ela ir parar à lista internacional de dadores de medula. Sem prioridade.

Fui hoje fazer os testes de compatibilidade e os para "estudo de família". Como a minha A. está a ser seguida no IPO no Porto, eu fui só ao "ponto de recolha". Não sei nada. Vivo com uma bola dentro do peito que cresce, cresce... mas quero muito acreditar que na próxima consulta já vamos ter novidades.

 

Desde o dia 18 de agosto, obrigada é o meu nome do meio.

Em cada SMS, que virou chamada. Em cada chamada que virou "sim" e um bocadinho de carinho. Em cada partilha que vi nas redes sociais (e são tantas!). Em cada abraço virtual, que, a quilómetros, sinto como real.

Obrigada a cada pessoa que se preocupa. A cada reação. A cada partilha.

Obrigada por, mesmo eu tenho escrito um "texto seco", terem sentido a nossa dor e o nosso medo, desse lado.

 

Conheço outras palavras, mas nenhuma chega ao pouco e ao muito que sinto.

Obrigada por me ajudarem a perceber que, para salvar a minha "metade mais velha", eu consigo valer.

Obrigada - seja esta luta breve ou cheia de batalhas.