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Os Contos da menina-Mulher

Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto. Estes são os meus pontos sobre saúde, culinária e lifestyle. Aqui toda eu sou vírgulas, reticências e, no extremo, pontos de exclamação ou mesmo um ponto final!

Ter | 02.01.18

2017 em 2018

Sim, vocês, pessoas fófinhas que me aturam, sabem: eu sou do contra.

Eu gosto de pensar, de medir, de considerar - e por isso, decidi não passar aqui com o balanço de 2017, em cima do joelho.

 

Ao 2º dia de janeiro já consigo ter uma ideia, com menos "barulho das luzes" do que foi 2017, do que me trouxe.

Sim, cumpri as minhas superstições (o batom vermelho, a peça de ouro, a roupa nova, a nota na mão direita e os desejos com 12 passas - sultanas também contam, certo?) e cá estou eu, pronta para mais.

 

2017 foi um ano "partido ao meio". Vejo agora que, até julho, limitei-me a sobreviver. A viver por arrasto. A viver preocupada. A dar, dar, dar. Enquanto me senti presa a resultados sempre iguais.

Depois chegou julho. O quente, estranho julho.

Depois de semanas fora, depois de dias de trabalho de 12 horas, depois de stress e muito cansaço... tirei uma semana para mim: médicos, família e o que eu pensava que iria ser descanso. Mas não foi assim: em 3 dias... os avisos, as chamadas de atenção, a desilusão e a noção de que estava presa, fizeram-me abrir os olhos.

 

Vamos ser sinceros e verdadeiros: de que me serviram 9 meses de terapia (que também deixei em 2017) se não me conseguia ver? Estava a trabalhar no vazio, com uma (pseudo) profissional que vê a psicoterapia como uma forma de alienar pessoas.

Pedi ajuda cegamente. Pedi ajuda em desespero. Para perceber que a pessoa em quem confiei para me ajudar, não o iria fazer, porque não vemos o mundo da mesma forma - não que isso a tivesse coibido de me esmifrar 4 meses de consultas sabendo isso e mostrando crescente desinteresse e quasi-asco por mim...

Percebi agora que, a corrente que estava a trabalhar é tão baseada no egoísmo e no apontar de dedos (ao contrário de responsabilização), que dei por mim a afastar tudo e todos, amargurada, focada no mal de cada um, com as expectativas mais altas do que nunca, enquanto não conseguia deixar de me deitar abaixo, numa constante insatisfação e tristeza. Talvez porque quanto mais negro vemos, mais negro o horizonte se transforma?...

 

Depois... cortei. Cortei A relação tóxica! É verdade que alguns amigos e conhecidos me foram avisando: "Olha que o que vês como Amor não tem nada traços disso..." ou "Olha que estás a dar sem retorno..." ou "Olha que isso não parece nada uma amizade saudável". 

Durante 9 anos desculpei. Ceguei. Não quis ver. Agarrei-me ao Amor que sinto e às migalhas que me eram dedicadas, em nome de dias passados e de fases difíceis ultrapassadas.

E em julho... do nada, como resposta a mais um momento de dar...: chapada. Falta de consideração, falta de respeito. Pior, olhar e ver invólucros vazios, pessoas ocas, perdidas, repletas de maldade. E não me revi ali. Nem usando a capa da ironia, do sarcasmo e do humor negro.

Custou. Chorei dias sem fim, senti mágoa e tristeza em muitos dos meus dias. Ainda hoje, há dias em que a minha voz se altera quando tenho que tocar neste assunto. Mas, lentamente, qual barquinho de papel, largado no rio, para seguir a corrente: deixei ir. 

E sim, quem me chamava à atenção, tinha razão: larguei e raros são os dias em que há retorno. E eu? Eu cada dia dedico menos da minha energia a esta relação.

Trato-a como um amor bonito que se extinguiu: acarinho a memória, mas não a procuro. Vivo sabendo quem fui e sou, o que dei, sem pesos na consciência. Mas não espero.

E de repente, sim, a vida vida ficou mais solta, mais leve, mais disponível para todo o resto que se passa, "cá fora"!

 

Em julho tomei, também, a grande decisão de mim por mim. Regressar ao ginásio, 7 anos depois.

2 a 3 vezes por semana, lá estou eu. Eu e os meus 3 planos pela motricidade, pela perda de peso, pela mobilidade. Eu e o R.

Nem sei dizer há quantos anos não tomava uma decisão tão "egoísta", só para mim. E é isso que o ginásio me é: me time!

Em 4 meses e meio as quedas diminuíram, o equilíbrio melhorou, a extensão de movimentos (tanto de braços como de pernas) nem tem comparação! E, "pelo meio", em dezembro tinha perdido 4 kgs e 6 cms de volume! #winwin

É lá, muitas vezes nos 15 minutos de passadeira finais, que penso (calmamente na minha vida), é lá que, entre remo com 30 kgs e 60 repetições de TRX, percebo o quão pesada estava a minha vida, porque a vivia focada e centrada nos outros. E a diferença que 1.30h minha faz à minha cabeça - em comparação com o "tempo perdido" em terapia.

E sim, continuamos a nossa re-educação alimentar, acrescentando uma alimentação low-carb à noite, o maravilhoso mundo do chocolate negro com framboesa, e o iogurte e os queijinhos como snack-mata-desejos. Mas continuando a adorar comer (a alegria que é descobrir um novo restaurante que nos enche as medidas, hein?), só ficamos enfartados mais rapidamente! :P

 

Em julho tomei a decisão de dizer adeus ao meu Micrinha, ao MEU carro, meu sinal de independência. E doeu. Não me desfiz de um objeto, disse adeus a um amigo, a um companheiro de muitas horas. Com pesquisa e tempo e em mais um projeto a dois, eu e o m-R encontramos a nossa Mégane, branca, linda e alemã. Que agora é NOSSA, que eu amo conduzir, que me faz querer sair de casa. Que me faz sentir parte de onde estou. E da qual não tenho medo, apesar de ser enoooorme!

 

Em julho sentei-me e conversei com o m-R. Sobre imagem corporal, sobre a minha forma meia fria, meia atabalhoada, meia medrosa de lidar com o mundo. Sobre o quão estagnada me sentia. Sobre o que podíamos fazer para "desencalhar".

Os últimos 5 meses trouxeram-me a capacidade de voltar a ver o m-R com olhos de "meu amante e meu amigo", meu companheiro de loucuras, minha companhia favorita para as novas aventuras - porque sim, o amor é muito lindo, e lá em casa há muito, mas 5 anos trazem comodismo e habituação... e não há que ter vergonha de querer lidar com isso.

 

Vieram então as viagens, dentro e fora de Portugal. O aprender a desligar o cérebro sempre que saímos da "rodinha de hamster". O voltar a ter dias de olhar para ele e sorrir verdadeiramente porque me relembro do quanto adoro os olhos dele. Sair do país foi uma aventura com episódios loucos, mas temos dias em que ir ao supermercado nos traz as mesmas gargalhadas. Já para não falar no paraíso que é sentar-me com ele e o Snape no sofá!

 

Desde o verão que decidi viver mais também a minha casa. Aproveita-la como não o tinha conseguido fazer ainda. A compra da nossa casa não foi fácil. Trouxe ao de cima coisas muito feias nas pessoas que mais nos deviam apoiar. E a verdade é que dei por mim a viver na minha casa, com medo. Muito medo de estar a fazer "tudo para nada"... Não sei dizer o que se passou... depois do chá de panela, depois da Páscoa, com a Primavera (talvez?) deu-se um click. Quero mais receitas novas na cozinha, mais filmes no sofá, mais sestas na sala. Mais pechinchas em 2ª mão para ir completando a mobília. Mais petiscadas com os amigos que merecem entrar em nossa casa. Libertar a casa de embalagens vazias, velhas, coisas partidas ou que não são a nossa cara, só pelo valor sentimental...

 

Os últimos 5 meses de 2017 mostraram-me que sim, é verdade o cliché: a vida muda quando nos decidimos a fazê-la mudar. Não temos que o fazer em grand gestures, não temos que o fazer todos os dias, não temos que ser mais do que ninguém, mudar da noite para o dia. 

Tudo começa com um pensamento, um exemplo, uma atitude. O resto? Cabe-nos, a nós!

 

2018 chega com uma enorme nuvem, que sabemos, vai trazer tempestade. Choro, tristeza, negridão e incerteza. Vai fazer tremer os alicerces. Renasceu um monstro que me doí e me assusta. Mas a força que reunimos em dias calmos, vai ser a que nos vai ajudar nos dias maus.

Por isso, para 2018? Mais "disto". Mais evolução positiva, sem perder a capacidade.

 

E vocês? Quais são os vossos grandes desejos para este ano fresquinho?

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