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Os Contos da menina-Mulher

Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto... Aqui toda eu sou vírgulas, reticências e, no extremo, pontos de exclamação ou mesmo um ponto final. Parágrafo!

Poemas "do outro sítio" #9

Só o invólucro - 15.01.2009

O dia começou
Com um vinco bem marcado,
Entre o passado e o futuro
Entre o ficar e o partir.

Mas agora
Sei.
Que aqui não quero ficar.

Presa na inocência do passado?
Pistas ignoradas – sinto-as.
Correr para o futuro agreste?
Sou inércia, por isso não corro para lá.

Aceitei novos pensamentos – ou estavam apenas ocultos?
Vi mais claro na imensidão do escuro.
Do antes
Só o mais atento verá que igual,
Só o invólucro.

Sei.
Hoje, só hoje, sei.
Que este já não é o meu lugar.

 

Fui guardando este poema, para o partilhar quando me sentisse capaz.

Engraçado? É que me lembro tão bem do que me levou a escreve-lo e do que desencadeou, que acho que o "momento perfeito", já não existe...

Volto a partilha-lo, tanto tempo depois, "tantos séculos" meus depois, numa época em que me sinto no extremo oposto.

Neste momento, olho ao espelho, estes 8 anos quase (quaaaaaaaaaase) não existiram, e parece que só o meu invólucro mudou...

 

Retirem-me o "título".

Ontem o Spotify trouxe-me, a pensar que me ia matar as saudades de "Casa", o Porto Sentido, de Rui Veloso.

E eu, ao contrário do que faria nos idos de 2009, sorri.

Eu, Portuense, com "letra grande", orgulhosa das minhas raízes, de gema, de alma e de coração; que até simpatiza com o Rui (mas que já não lhe liga tanto como antes)... eu, m-M Maria, nascida em Miragaia, não posso com esta música.

 

Convenhamos, mesmo quando estava no Porto e sonhava de lá sair (eu e os meus sonhos!), sempre achei esta música overated. Que não nos representa a todos, que ser Porto, sentir Porto é tão mais. É sangue, é sotaque, é sítios, é família. É "menina" seja com que idade for. É comida com sabor.

Não são meia-dúzia de palavras giras numa melodia delico-doce.

Pior ficaram, para mim, quando, em 2009, o meu ex-loiro, alto e dinamarquês, Lisboeta, achou que dedicar-me a canção, cantada num karaoke a 300 kms, já com um copo a mais, no bucho, é que era romântico.  Ei lá, "A comichão" que me passou a fazer! 

 

Bem, ao menos, já sorrio à música, mesmo achando que não me representa, nem me faz "sentir nada".

Retirem-me o "título", vai-se a ver e estou a perder o Portuense-anismo. 

Poemas do "outro sítio" #5

26.04.2010

 

Rosa Celeste

Mordes. Beijamos...
O toque da tua mão. A interrupção. A tua mão.
O jeito, a lembrança que agora é sorriso gargalhado, descartada por ti e em ti.
A timidez ao de cima mesclada com a vontade.
O desculpa. O sorriso.
[...]
 
As tuas mão frias, suadas. As tuas costas quando queria os teus olhos.
O sorriso no passo que tremia mas fluía [...].
Tu normalizas-me.

Da alegria de escrever uma antítese, uma sinestesia. Nascida de uma paixão assolapada que não esperava, de todo, àquela época.

Que não deu em nada, a não ser em idealizações, de ambos os lados.

Mas sou grata. Sorrio. Sempre. Sempre que penso naquela noite. Nos toca e foge. Nos "de repentes". Em como "tudo começou".
Mesmo que existam histórias com fins muito rápidos e sabores muito fugazes.

Algo vai mal no reino da "Dinamarca"...

Devido a problemas de saúde (alergias e intolerâncias alimentares) fui obrigada (pelos médicos) a fazer uma dieta proibitiva, muito rigorosa, durante 3 anos da minha infância.

Durante 3 anos comi os mesmos 6 alimentos, cozinhados da mesma forma, nos mesmos pratos. Era-me permitida "uma asneira" por MÊS! E era certinho, direitinho, que no dia seguinte estava pior.

 

Não é de admirar que, por um lado, a minha estrutura corporal tenha ficado marcada por isso - tenho uma cara magrinha e esticada, por "natureza" e, até há 3 anos, ficava com um ar emaciado, mal perdia mais do que 3 kgs.

 

Entretanto, com a mudança para Lisboa e várias alterações de saúde, mais do que engordar (5 kgs), ganhei volume, xixa, gordurinha...

Pelos motivos das alergias e intolerâncias, comecei a re-educação alimentar de que, volta e meia, faço aqui no blogue. Tornamo-nos flexitarianos, lá em casa. Regressei ao yoga, começamos a fazer caminhadas... mas a verdade é que, ao contrário, de muitos testemunhos na net, não perdi kiiiiilos, ou volume.

Perdi e tenho lutado para manter, estes resultados. Pouco mais consegui do que isso, nos últimos tempos.

 

Quando, aos 13 anos, me deram carta para comer "normalmente", outra vez, prometi a mim mesma que não iria entrar em dietas malucas, proibições fundamentalistas e sofrimento por causa da comida. Sabe Deus o quanto enjoo só de pensar naqueles 6 alimentos que comi, "sem fim", todos os dias...

 

Mas a verdade é que, ontem, dei por mim num raciocínio muito perigoso: percebi que, nesta semana fora, me tenho limitado, controlado e pior, quase culpado, no que como.

Sopa a TODAS as refeições, salada em TODAS as refeições (e duas refeições foram mesmo apenas e só salada), carnes só grelhadas e no forno, peixe... e muito pensamento no processo de comer sobremesa (em refeições de trabalho, pelo menos com este grupo, faz muito MUITO parte do processo), ao ponto de, ontem ao almoço, me ter sentido culpada enquanto comia o raio da sobremesa...

 

O tempo, o meu corpo, a minha genética lembram-me que não vou emagrecer do dia para a noite, que não há milagres, mesmo havendo esforço. Mas nunca, nunca me imaginei culpada por comer um raio de um doce.

E (pensem o que quiserem desse lado, riam-se, gozem-me, insultem-me, fechem a janela...) estou preocupada com isto. Não me sinto bem, comigo mesma.

Das pessoas tóxicas

Muito se fala de "pessoas tóxicas" na Internet. Há por aí autênticos tratados, textos inspiradores, com fundo de verdade e muito sentimento.

 

E a verdade é que, tendo em conta a vida em sociedade, elas existem.

Faz por estes dias um ano que cortei com uma pessoa (e "suas" indiretas) que, percebi, na altura, e confirmo agora: era do mais tóxico que me rodeava.

Fez parte da minha vida uns 4 anos (nem parece assim tanto, né?) e a verdade é que, devagar, devagarinho, ia deixando certezas em pantanas, calma em ansiedade, amizade em obrigação.

Mascarou interesse com diversão, a ver se escapava.

Graças ao Universo, não escapou. Acabou a mostrar as "cores", tirei-lhe a pinta e "chutei para canto".

 

Depois de noites sem dormir, preocupada, sempre pronta a estender a mão. Sempre pronta a dar-lhe primazia em detrimento de outros. Sempre pronta a incluir nos meus dias importantes; vi-me no meio de um drama, uma confusão, um plot de uma novela mexicana. Interpretada por supostos adultos de 20 e muitos anos...

 

Saí.

E a verdade é que o drama à minha volta diminuiu e muito.

Já me oiço, já não estranho passar tempo sozinha (ou comigo!), já não sinto falta do barulho, das vozes, dos olhares e das expectativas.

Dei passos muito MUITO importantes na minha vida. Fui ao poço e voltei. Levantei-me, ora estou de pé, ora sentada. Faço as minhas escolhas, sem paternalização, sem sentir que tenho que estar a salvar alguém. E guess what? Essa amizade era tão importante, mas tanto que... nunca mais vi ou ouvi dessa pessoa (e quando digo "nuca", desde esses dia, acreditem-me, é verdade, não é exagero.).

E, por muito fria que possa parecer, há meses que não me lembrava dela. Meses largos. Foi como se tivesse saído um manto de neblina. Não faz falta e "vê-se melhor".

A ironia está no quando me lembrei desta "efeméride pessoal": ao ler um texto sobre as inseguranças pessoais.

Ou seja, ao ler sobre a maldade por medo, lembrei-me, recordei-me que já não vivo assim.

E ainda bem!

Do Dia da Mulher

O Sol brilha lá fora, o calor promete chegar.

Eu, eu estou na minha cadeira, a martelar as teclas, num sem-fim de tarefas - porque a vida não pausa, lá porque se esteve a trabalhar a 600 km do local "normal".

 

O Sol brilha lá fora, o calor promete, tal qual como há 8 anos, quando a 8 também me reencontrei comigo, com o lado que sempre neguei em mim, com o lado que pensei que ninguém via, ou que não interessava a ninguém.

Lado que, entretanto, no último ano, adormeceu em mim.

 

Hoje, que a Internet grassa de flores e convites e festas... eu dou por mim, ainda mais "interna", que o habitual.

Não sei se do cansaço de 12h passadas dentro de um carro nas últimas 36 horas.

Sei que, abri esta janela, esta página em branco, e de repente? Apeteceu-me falar de mim.

Da mulher que tem dias que sou, quando não me recuso a crescer de menina, "para cima".

Apeteceu-me relembrar-vos que a Mulher, entidade, organismo vivo constituída por todas nós, é única: forte, luminosa, intensa. Tudo, em positivo e negativo, como a vida, como a sociedade, como os organismos mutáveis. Como as meninas, que passam a Mulheres.

Apeteceu-me relembrar-vos, que, se não nos cuidamos, se não nos valoramos, aparecem ex-cientistas loucos, ex-psicopatas lá do deserto, jamais e tentam roubar-nos de nós próprias. E o pior? 25% das mulheres em relações, deixam que isso aconteça. Eu deixei que isso acontecesse.

Mesmo quando a ironia da vida fez com que o dia em que me entreguei totalmente, tenha sido um 8 de março, dia da Mulher.

Hoje, nos últimos dias, nas últimas semanas, em meses sem fim, que se fundem e se perdem na minha memória, sinto-me muito pouco feminina, muito pouco sexy, valorosa, Mulher. Não o sinto, não o encontro, mas sei que o sou.

E essa sabedoria, este estatuto partilhado, merece ser celebrado, nunca esquecido, nunca roubado.

Mood board

Mais daqui a pouco arranco para o Porto, para a visita/sessão mensal.

Este mês incluí noitada com MC, jantarada com a A. e Mula Maria... e quiçá Saldos para o m-R, que ele só se entende com o calçado lá em cima.

Estas 3 semanas não foram fáceis, por muito que não tenha tocado no assunto aqui. Foram semanas muito intensas, a nível interno, muito olhar para dentro, muito "ter que pensar", muitos TPCs para a sessão mensal...

Hoje, sinto-me/vejo-me assim, nos meus 5 minutos de daydreaming:

 

A hot mess, I know.

Hoje sinto-me, como bem dizia antes, uma montanha-russa...

 

Bom fim-de-semana  

 

 

Quando já foste tu, noutro lugar...

Ontem, por entre as reuniões e planeamentos e aniversários de colegas e tudituditudi, decidi que a minha companhia de leitura seria o meu antigo blogue.

 

O blogue que mantive durante quase 3 anos. Sim, que eu já ando nos blogues há... quase 9 anos. Fiz foi um hiato de quase 2 anos...

Onde conheci 2 ex-namorados.

Onde comecei por escrever em inglês e depois lá me "revelei" como portuguesa.

Um blogue sem parcerias, sem grandes publicidades.

Mas que mesmo assim ultrapassou os 160 seguidores.

E através do qual trocava e-mails para xuxu.

 

Percebi que lá era estupidamente criptica, ainda mais do que o que o consigo ser aqui.

Ao ponto de, datas que foram enormemente importantes para mim, para a pessoa que sou hoje, à época pouco foram afloradas e quase nem se dá conta que as vivi.

Leio-me. Reconheço-me, sorrio-me.

Fico triste de perceber que, àquela data, ainda fugia mais de mim do que o faço agora.

Que deixei muito por viver, por medo. E que os predadores certos se souberam aproveitar disso.

 

Fico parva ao olhar e ver que já não reconheço 90% de quem lá passava.

Que dos 10% que reconheço, abomino muitos deles.

Dos "Grandes amigos" que lá louvo, mantenho a MC. E mais ninguém.

 

Fico abismada comigo.

Se não tivesse sido eu a viver esta vida... não reconhecia o caminho que fiz até chegar aqui.

A hoje. A quem sou.

 

O interessante foi rever a poesia que escrevia.

Tenho lá textos maravilhosos. Como é que eu não via que escrevia bem?

 

Que acham de volta e meia ir buscar alguns e vos mostrar?

Acham que poesia de uma miúda de 23/24/25 anos, deixada num canto esquecido da internet, ainda interessa a alguém?

Blue Monday, enfrentar um medo e ir aos Saldos

Sim, ontem, pela primeira vezes, em meses, não vos brindei com um post meu, nem agendei nada, para vos enganar 

 

Porquê?

Porque ontem o assunto foi "sério". E bem que diziam que ontem era o dia mais deprimente do ano...

Fui a tribunal testemunhar contra a pessoa que me assaltou (violentamente) há ano e meio. Na altura não o mencionei aqui, por muitas razões:

  • nunca me tinha acontecido
  • não foi bonito
  • os meus pais continuam sem saber
  • foi na altura da morte do Botinhas - e estive uns dias fechada em casa
  • trouxe-me alguns triggers quando ainda tenho que passar no local e outras coisas relacionadas aka ainda tremo de medo ao pensar/relembrar (em) tudo.

A audiência correu bem. Foi rápida, um bocadinho como arrancar um penso rápido, mas tudo com um alto nível de confusão. Fora o ter @ assaltante mesmo atrás de mim e ter tido de passar pelo processo do reconhecimento tooooooodo outra vez.

Não sei o que vai acontecer, não me disseram mais nada, foi "entra e sai" sem grandes palavras. Acho que dá para perceber que não percebi muito bem o que lá fui fazer - aqui a je pensou que a providência cautelar, os 3 dias de encarceramento e o pagamento das custas de tribunal eram tudo e que tudo tinha ficado resolvido o ano passado. Pelos vistos, o Ministério Público vê o assalto como um crime de discriminação e aproveitamento indevido e levou isto avante, a sério e eu plim! lá fui chamada outra vez.

 

Aaaah e claro, tinha que haver peripécia com a minha PC, né?

Diz o Shôr Juiz: Diz aqui que, à época, a senhora, sofria de problemas de mobilidade? E ainda os tem?

(note-se que entrei pelo meu pé para a sala e ainda foram uns bons 20 passos...)

Eu: Sim, Sr. Juiz. Tenho PC.

SJ: Aaaah e isso mantém-se?

Eu: (com cara da WTF?) Sim, Sr. Juiz, é de nascença.

 

Pela zona onde foi a audiência e pelo medo que tinha de estar a ser seguida... andei até ao shopping mais próximo e deixei-me lá ficar uma horas...

Comprei os ingredientes para um franguinho com cogumelos e espargos, com molho de cerveja, que estavam de "trás da orelha"! (e esta receita, também querem?), comprei os miminhos para o Ballentines 2017 - tudo útil, tudo baratinho, tudo personalizado, coisas que o m-R fala cada vez que vê... e tudo de maneira a fugir à overdose de coraçõezinhos e preços inflacionados - só falta imprimir uma foto nossa e fica "tudo fechado".

Para quem segue o blogue há menos tempo: o Dia de São Valentim é o Ballentines da nossa relação: raramente celebrado a 14 de fevereiro, envolve não gastar quase dinheiro nenhum (a meta deste ano é <€10), fazermos qualquer coisa a dois naquela semana, um jantar especial em casa mo fim-de-semana mais próximo e NÃO nos aproximarmos de restaurantes ou cinemas a 14 de fevereiro! 

 

E, num momento de esforço, fui aos Saldos. Eu sei, "que frase mais estranha" dado que aqui no blog sou uma materialista, consumista sonhadora.

A verdade é que, parte do que me leva a terapia é o facto de não me considerar merecedora, é o facto de me relegar sempre para 2º plano, é o facto de pensar sempre que amanhã tudo correrá mal, logo não posso ambicionar grandes coisas, nem gastar dinheiro que vai ser preciso "amanhã", muito menos em mim.

Ir aos Saldos aqui com a je envolve entrar e sair de muitas lojas, quase sempre de mãos vazias, porque até posso ter passado 20 minutos dentro de uma loja, mas esses 20 minutos foram a recriminar-me (seja pelo dinheiro, seja pelo meu corpo, seja por poder estar a oferecer alguma coisa a alguém ou mimar "quem merece" com aquele dinheiro) e a encontrar a justificação para não gastar o dinheiro...

Ontem, não sei se fruto do que tinha passado de manhã, entrei em 3 lojas e fui aos Saldos.

Comprei algumas peças de que falei neste post. Comprei coisas de que precisava porque as que tenho estão partidas. E comprei coisas de que gostei - e coisas que vou oferecer a amigas também.

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 (todos juntos, tooodoooos juntos!

Dois vestidos e uma saia-midi da Mo, uma echarpe, brincos e pinceis da H&M, um batom da Catrice e lápis de lábios da Essence)

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 (Brinquinhos fofinhos, agora que com o cabelo curto se "nota tudo!")

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 (um pincel de blush novo, que o meu da Primark desmontou-se em 2...)

Tudo com, pelo menos 40% de desconto. Tudo bem abaixo de um número bem redondo que, se calhar, muita gente gasta num look/outfit.

Agora falta-me a coragem e vontade de arrumar tudo nos seus sítios e imaginar quando vou estrar estas coisas fofinhas 

Admito, não o fiz ontem, porque, ao regressar a casa fui temperar o jantar, tê-lo pronto para o m-R mal ele entrou pela porta, ao fim do dia... e porque me fui enroscar no Snape - tudo razões extremamente válidas para não me por com arrumações 

Nunca voltes ao sítio onde já foste feliz...

Diz que esta frase é batida. Eu vou ser completamente sincera: nem me lembro quem a disse e não vou dar uma de intelectual "sabe-tudo" - não fui ao Google pesquisar

 

A verdade é que, este fim-de-semana tive a prova de que, para mim, este ditado tem o seu quê de fundamento.

Prendinhas trocadas às 3 da matina, quando ele chegou do concerto - que eu era 1.15h já estava em casa - 'tou beilha, é o que é!

Sábado fiz tudo o que me lembrei para garantir um dia muito feliz ao m-R.

Brunch reforçado na caminha - podem ver uma singela foto, das melhores panquecas caseiras (sem ovos!) que já fiz!

Almoço com os Sogros, as meias irmãs e a madrasta no Maria Azeitona - que desiludiu um bocadinho (em comparação à review que está no link - mas que continua bom...

Um passeio à Peninha.

E jantar no Ribs & Company, um local novo, com boas recomendações de conhecidos e que vai merecer review!

 

Mas voltando ao "ponto da questão".

Quase 8 anos depois, voltei à Peninha. O santuário da Peninha foi "o local" do meu 1º namoro.

O ex-alto-loiro-e-dinamarquês adorava o local. Levou-me lá a ver a imponência, a luz, o Sol, a sentir as energias... a ter momentos de introspeção e conversas filosóficas, que à época, foram profundas, me pareceram que funcionavam como bonding mas que, pensando bem, foram sempre um bocadinho difíceis.

No mistério do meu 1º grande amor, tudo me parecia único, lindo, romântico. "Posto lá para mim". Cada visita era mágica. A memória que eu tinha, num conjunto de mente e coração a desenhar "a tela" era que a Peninha era perto (20 minutos de carro, dizia-me o meu GPS interior) e que tudo lá era "em grande".

Sábado, depois do almoço, e de ainda passar por casa para estender uma máquina de roupa - que o Sol é bom mas é para secar roupa! - arrancamos para Sintra. 45 minutos de carro (o amor de quem tem 23 anos é tão lindo que afinal aturava aquele ex quase uma hora e nem dava por isso! ), caminhos de "cabras", o carro todo sujo de lama... mas chegamos lá!

Um pequeno conjunto de rochas, o santuário muito melhor tratado e preservado do que eu tinha memória, mas tudo fechado... uma caminhada em altura. Mas tudo "pequeno". Tudo normal. tudo bonito, mas nada atrás de muitos outros sítios que visitei com o m-R, ao longo dos "nossos anos".

Não me interpretem mal. A Peninha continua linda, recebeu-nos com um pôr-do-sol lindo, qual presente de aniversário da Natureza para o meu m-R. Lá tiramos uma das fotos mais fofas que temos, em tanto tempo de namoro. O m-R estava encantado com a vista. Sorriu muito, tanto que me deu gosto de ainda conseguir dar com o sítio, só para o ver assim! Até o frio e o vento foram facilmente suportáveis!

Mas eu, por dentro, "cá dentro" fiquei surpresa. Afinal, é tudo tão "normal", tão pequeno. Tão "habitual". Belo, de uma comunhão com a Natureza que não se encontra todos os dias. Mas "normal". As pedras já não são tão grandes, a Natureza já não me sussurra mensagens só por eu lá ter estado, os muros estão mais gastos...

A minha realização este fim-de-semana foi mesmo, "nunca voltes a onde foste feliz".

Porque descobri que cresci. Que, pelo caminho perdi os "óculos cor-de-rosa" que me tentaram por (para "esconder outras coisas). E que agora vejo com os meus olhos.

Que sou tão mais mulher que já não são os encantamentos de uma paixão ou de uma pessoa, que me dizem se o local é mágico. Sou eu que lhe encontro magia. Daí tudo ter voltado ao seu tamanho "normal".

Porque a magia esteve nas gargalhadas para lá chegar, nos sustos com a lama, no pôr-do-sol. No sorriso de fazer o meu companheiro feliz. Na caminhada por entre rochas, feita de mão dada , para não cair.

 

Nunca voltes a onde foste feliz. Porque a felicidade é bela e quentinha, mas mutante. E vai-se a ver, muda e cresce contigo. Trocando uns pózinhos de prelim pim pim por outros e a magia pela capacidade de ver, com olhos de sentir.