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Os Contos da menina-Mulher

Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto... Aqui toda eu sou vírgulas, reticências e, no extremo, pontos de exclamação ou mesmo um ponto final. Parágrafo!

Poemas "do outro sítio" #9

Só o invólucro - 15.01.2009

O dia começou
Com um vinco bem marcado,
Entre o passado e o futuro
Entre o ficar e o partir.

Mas agora
Sei.
Que aqui não quero ficar.

Presa na inocência do passado?
Pistas ignoradas – sinto-as.
Correr para o futuro agreste?
Sou inércia, por isso não corro para lá.

Aceitei novos pensamentos – ou estavam apenas ocultos?
Vi mais claro na imensidão do escuro.
Do antes
Só o mais atento verá que igual,
Só o invólucro.

Sei.
Hoje, só hoje, sei.
Que este já não é o meu lugar.

 

Fui guardando este poema, para o partilhar quando me sentisse capaz.

Engraçado? É que me lembro tão bem do que me levou a escreve-lo e do que desencadeou, que acho que o "momento perfeito", já não existe...

Volto a partilha-lo, tanto tempo depois, "tantos séculos" meus depois, numa época em que me sinto no extremo oposto.

Neste momento, olho ao espelho, estes 8 anos quase (quaaaaaaaaaase) não existiram, e parece que só o meu invólucro mudou...

 

Poemas "do outro sítio" #8

De quando eu escrevia em inglês, como se fosse a segunda pele, da minha alma.

 

04.02.2010 - Caring

Be careful!...

As I feel they're robbing me of you.

 

Be still my heart!...
In the middle of all of them.

 

It is you, I've senced it.
But...
Walkers cross my path.

 

The deeds strenght the inside me
The waiting keeps the window open.

 

What is happening?

 

Be careful!...
As I feel they're robbing me of you...
 

E infelizmente, ñoa me lembro do processo de escrita destas palavras de amor...

A minha mente, em imagens:

Já tinha saudades de passar pelo meu feed pessoal do Facebook e sentir que ele me lê a mente.

Hoje em dia não é tão fácil, o pessoal já não é tão "pessoal", "em temas de interesse"...

 

Mas esta semana cruzei-me com estas duas imagens e senti-me revista. E sorri.

Ao menos, não estou sozinha...

(este excerto é de um livro que uma das minhas caloiras escreveu... Sinto-me velha e orgulhosa ao mesmo tempo 

Poemas do "outro sítio" #6

Hoje partilho convosco um a short story, não tanto um poema.

Tenho um lado mais esotérico, mais espiritual, que já não alimento tanto, mas à epoca, escrevi sobre algo que sempre mes fascinou: a leitura de mãos.

Espero que gostem:

The lines in your hand... - 01.07.2009

 

... tell me... - he said with a naughty smirk in his face; as her heart raced through the perspective and the sea of possibilities.

Well... now she knows (or so she thinks) what he meant.
Not once, but twice he had hold on her soft hand and caught glimpces of her future.

"You have a very complex Love Line. It amazes me.
You'll have to wait.
You'll be the first to separate.
You'll have to get used to wanting what is not at your range. You'll want but you won't have.
And you'll have to move on."

As time goes by she comes across what he foresaw. Somedays she smiles, others she looks around in awww; others yet she feels a little bit of rebellion.

She has lost, she has gainned. She has dreamed the dreams of lucky ones. She has smilled the brightest smiles and cryed the most bitter tears.
But in the end? She sticks around... good old romantic girl.

 

 

Brincar com o tempo

Ainda por estes dias li a Desconhecida e os seus miúdos falar do tempo, dos desejos de criança, do que é "ser crescido".

E bem diz ela, se os miúdos soubessem... não queriam ser tão crescidos, não sonhavam tanto com o ser adulto, não faziam tantos planos.

 

Ando numa fase de "olhar muito para trás".

Não de "cor-de-rosar" o passado, de achar que o que vivi é "que foi!", pouco do que vivi foi de grande memória (exceptuando os momentos com a MC, com o m-R, com o meu afilhado...).

Mas, tenho andado introspetiva, e tenho-me apercebido que este meu feitio de viver as coisas para mim e em mim, as faz quase passar por pouco intensas, quando não o foram.

Ando numa fase de, dissussiando as pessoas, olhar para situações em que fiquei dorida, ou deveria ter ficado... e perceber. Juntar peças do meu puzzle.

 

E no fim? No fim sou tão cliché, como a "rapariga do lado". Não há cá intelectualóide.

Realmente, não há liberdade como a de dizer o que sentimos, mesmo que isso não seja compreendido, ou aceite.

Realmente, não há Amor como o 1º. Ao ponto de me chegar a questionar se voltei a amar "assim".

Realmente, ganhamos medos, com a idade.

Realmente, transformamo-nos nos nossos pais, por muito pouco, ou nada, que nos reconheçamos neles.

Ao fim e ao cabo?

Viver é muita coisa.

Incluindo, brincar com o tempo.

Poemas do "Outro Sítio" #4

Vapor - 15.04.2010

A conversa escorre
Como a água pelo corpo.
Eu sou a palavra quente,
Tu o frio das lajes sob os meus pés.
 
A diferença de temperaturas resulta.
Tudo o que vejo é vapor.
 
Entre as gotas reconfortantes que escapam
Sobra o frio,
A imaginação.
 
Imaginei mil outros tipos de vapor
Que nos ligassem.
 
Retomemos ao equilibrio térmico.
Sem ebulição.
Condensação.
Vapor.
 
Não é que, ao reler este poema, me lembrei perfeitamente de quando o criei? Antes de o escrever?
Foi entre um luto, uma luta, o reencontrar-me e o voltar a sonhar.
Passaram quase 7 anos, desde que estas palavras nasceram, dentro de mim, e é dos poemas em que mais oiço a minha "voz", o meu feitio, a minha personalidade...
 
Realmente, o meu elemento é Água 

Poemas do "Outro Sítio" #3

Nestas minhas pesquisas apercebo-me que vá, ainda escrevinhei uns 6 ou 7 poemas. Algo bastante inédito para mim, que sempre preferi prosa.

Depois penso: "Mas 7 poemas, num blogue que durou quase 3 anos, é alguma coisa?"

E dou por mim a rir-me. Surpresa comigo mesma, por ter encontrado forma de me expressar em poesia, de todo!

 

Engraçado mesmo é aperceber-me que escrevi sobre muito mais que amor. Ela foi mudança, ela foi auto-análise, ela foi sexo, ela foi ódiozinhos de estimação.

Nada como ter 23 anos, hã?!

 

Zarpar - 21.07.2011

Soltam-se as amarras
Quebram-se os nós.

Mareias nas ondas
Acabas ciclos.
Atracas em mundos diferentes
Com dor, mudança, novidade, raiva nas tuas vagas!

Marinheiro que acordas em novos portos
Solta as amarras
Quebra os nós.

O Passado ficou na margem.

Estou parva comigo mesma!

Quem me conhece, minimamente bem, diz logo que um dos meus traços é o realismo.

Sou realista, para o bem e para o mal, fique bem ou fique mal. Tenho pessoas que me adoram e me procuram para opinar, por isso; tenho pessoal que bufa ao meu nome, exatamente por isso.

 

Estranhamente, é daquelas coisas que nunca me deu na vinheta tentar mudar.

Sou assim, o meu raciocínio é lógico, sou analista. E isso dá muito jeitinho no dia-a-dia.

E qual é o meu escape a tanto realismo? Os filmes/séries e a música.

Imagino mil mudos, sinto tudo, vibro com tudo. Então com filmes românticos! UI!

 

Esta semana, num dia dedicado aos Óscars, que o Canal Hollywood preparou, incluíram, bem lá em início de prime time, um dos meus filmes de final de infância, início de adolescência: o Dirty Dancing - por ter ganho o Óscar de Melhor Canção daquele ano (1987, se não estou enganada).

O que eu vibro com este filme! A minha irmã era maníaca das danças de salão, sabe Deus quantas tardes não vi o filme por arrasto.

Depois fui crescendo e fui-me revendo na Baby. Sim, quando o assunto é amor, sou uma atadinha, uma medrosa de 1ª. Ou como o disse o m-R um dia destes "tu não sabes lidar com elogios, com o amor vindo dos outros. Não acreditas que tal possa existir, ouves, acenas, mas não acreditas". Resultado, sonhava (e sonho!) cá dentro, não "faço nada, por fora"! Ou faço, assim num momentito levado da breca.

Sei as falas, sei as músicas, falo com as personagens. Sempre vi naquela história o lovestruck que protege os audazes e a intensidade, que "luta contra o tempo".

E então?

E então qual não foi o meu espanto, quando o filme acaba, já o m-R estava a ver os últimos 30 minutos comigo, no sofá (isto sim, é amor!), e eu dou por mim a pensar:

Nhécas! O Patrick Swayze não me parece nada apaixonado, perdidinho. O homem até ficou meio encavacado quando a Baby quis ir para a cama com ele... e ainda é ela que é atadinha? Aquilo foi uma paixão de verão, foi o que foi. E a Baby fartou-se de se enganar na coreografia final...

 

(Não contemos com algumas comparações que eu fiz, pelo meio, com o meu 1º namorado... "que isso agora não interessa nada, Teresa!")

 

Ou seja, ando numa fase tão "analisar para compreender", "sentir o que vejo", que aos 31 anos drenei um dos meus guilty pleasures de todo o seu romantismo... que raio é que se passa comigo, hã?!

Por Amor da Santa, não me deixem fazer isto ao meu AMADO Bodyguard, ou a Whitney anda me passa a assombrar e a puxar a perna, todas as noites - e ninguém quer isso, né?!

Vocês preguem-me dois estalos, nesse dia, 'tá?!

Poemas do "Outro sítio" #2

Em dia de aniversário do cantinho presente, trago-vos palavras escritas no utro sítio.

Lidas agora, são quase como que premonição do agora, deste lugar e do como se lida, muito antes de sonhar que este dia chegaria.

Por outro lado, reforça a coerência dentro da minha incoerência.

 

09.11.2010

É assim que sou.
A luta interna/eterna.
O frio que é quente.
A independência que grita por ajuda.

Reticências, intermitente, faseada, questionante.

As acções não são de todo as sonhadas.
Não sou perfeitinha, cor-de-rosa, sou humana.
A carne, o coração, a mente são a minha tríade.

A mente grita Vive, Faz! - não confundir com consciência...
O coração treme.
A carne... já foi mais forte.

Já não sou inércia, mesmo que ande, corra em círculos repetitivos.
Enfado?
Temos pena.
Mas estou aqui por mim e por poucos mais.

Sempre eu, mais eu.
Mesmo quando o caminho é mais humano que etéreo.
Esta sou eu.
Que me vou descobrindo.